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Nunca fui acumuladora, ao contrário, adoro tudo muito bem organizado, o que me leva a dispensar coisas antigas ou sem uso, facilmente, mas nos últimos tempos, andei incrementando essa tendência.

Depois da minha aposentadoria foi natural me desfazer de tudo o que pertencia à vida de trabalho, como roupas mais formais, sapatos de salto alto, bolsas, óculos, colares e anéis – que eram, de preferência grandes.

Aos poucos, o guarda-roupa se reduziu, sensivelmente. Está quase no essencial, mas ainda falta um tanto para ser minimalista. Adotei poucos exemplares de tênis e saltos mínimos, e todos os calçados estão concentrados num único armário, pequeno.

Os excessos, de calçados, bijuterias, óculos e bolsas foram para os brechós da Ajuris e para as amigas mais queridas.

Além disso, como sou quase alérgica aos cheiros de perfumes, deixei de usar. Tem dois ou três no meu armário para situações muito, muito especiais. A maquiagem se reduziu a meia dúzia de ítens, tudo muito leve. E a cozinha me impôs unhas curtíssimas e sem esmalte, o que aprendi a gostar.

Tudo isso me reduziu gastos e tempo.

Gosto muito de decoração, vivo mudando tudo de lugar e dispensando objetos, mas ultimamente fiquei mais minimalista na casa também. Tenho ido de peça em peça, armários e gavetas e retirado o que está guardado porque é lembrança disso ou daquilo, porque foi fulano ou sicrano quem fez ou deu. Não estou usando, segue o caminho do desapego.

E a tendência vai para documentos ou papéis guardados, que já eram poucos.

Meu único abuso ainda está na cozinha, nos equipamentos e utensílios e pratos, com uma desculpa muito coerente, que é a necessidade de variar os elementos de composição das fotografias de comida.

Para compensar, tem períodos em que resolvo cozinhar apenas o que tenho nos armários, para não perder alimentos e ainda incentivar a criatividade. Garanto que ninguém passa fome.

Minimalismo era algo no que eu nunca havia pensado e hoje me dou conta que passei a praticar, sem saber que fazia. É a filosofia do menos é mais, valorizando a funcionalidade, qualidade e a intenção em relação a uma roupa ou objeto. Dá para aplicar no modo de viver, na casa, na moda e leva à uma vida mais leve, com base no essencial.

Vida leve para mais qualidade de tempo.